Você sempre viveu rodeado por arte, arquitetura e design. A escolha pela arquitetura foi desde pequeno?
Venho de uma família de arquitetos. Meu pai – Ruy Ohtake – meu tio e minha mãe são arquitetos. A arquitetura faz parte das minhas referências diárias, foi um caminho natural.

001_LFLORENZANO

O Design é algo recente, faz 2 anos que começou a produzir especificamente mobiliários, como está sendo esta experiência?
Desde os meus primeiros projetos eu sempre desenhei alguns móveis, principalmente fixos, para complementar a arquitetura. Então, fui convidado pelo Bruno Simões, meu amigo, para participar da MADE 2015, e foi aí que acredito que abracei o desafio de ser um designer. Eu tive que criar uma peça para apresentar na feira em 40 dias. E aí surgiu a cadeira Vitis, modelei a mão, de forma bastante intuitiva, com formas livres. Desde então, venho desenvolvendo mobiliário independentemente da arquitetura.

Boobam-Blog-RodrigoOhtake-01
Cadeira Vitis, Rodrigo Ohtake

Como é a sua rotina e o seu processo criativo?
O meu processo de criação é bastante livre e intuitivo, a forma é meu primeiro impulso. Eu sempre começo pela forma. Às vezes eu começo sabendo a função do objeto, por exemplo cadeira ou mesa, às vezes não, como foi o caso da vitis, em que fiz a forma e somente depois concebi sua função. Prefiro não ter um método muito definido. Mas sempre me imponho algum desafio, seja formal, seja estrutural, seja do material.

614-mesa-tulio-rodrigo-ohtake-1-3200
Mesa Tulio, Rodrigo Ohtake

Um aspecto importante do seu trabalho?
Para mim, o desafio. Para o cliente, a surpresa. Se ambos não forem alcançados, o trabalho não foi plenamente realizado.

Balanço BC, Rodrigo Ohtake

Quais são os seus 3 trabalhos favoritos?
O Móvel Fita foi o meu primeiro projeto de design descolado da parede, mas ainda feito para uma determinada arquitetura e, de certa maneira pelo seu tamanho, fixo. É uma peça escultural de 7m que mistura sofá e mesa ligados por uma torção na madeira, criando uma forma delicada e ao mesmo tempo muito forte. Foi um móvel que eu fiz 30 desenhos, começando com um projeto super complexo até chegar na forma final, bastante simples, mas não simplória. Já a poltrona Vitis é um xodó, porque representa meu primeiro experimento como designer, e não como arquiteto fazendo design. E a gente sempre espera que o próximo trabalho seja o melhor!

Boobam-Blog-RodrigoOhtake-03
Móvel Fita, Rodrigo Ohtake
blog-boobam-rodrigo-ohtake
Móvel Fita, Rodrigo Ohtake

Lançamento inédito na Boobam, a linha Bu, de cadeira e mesa, são peças que se assemelham nos materiais, assim como acontece na linha Parquinho, finalista no prêmio VOGUE de design. O que inspirou o desenho das grades?
A linha Bu eu fiz para o projeto de um bar, também projeto meu, chamado Buraco, recém inaugurado aqui em São Paulo. Em uma conversa com o Zanini.

buraco-baixa4_JPG
Linha Bu, Rodrigo Ohtake | Bar Buraco SP, 2017

buraco-baixa15_JPG

buraco-baixa5_JPG-1

Projetos futuros?
Uma linha de móveis e objetos menores feitos em vidro. Comecei pela luminária fresta, atualmente em exposição na galeria Nicoli e feita em parceria com a Glass11.

galerianicoli_alta09

Quais artistas e designers você admira?
Sabine Marcelis, Patrick Jouin e Zanini de Zanine. Frank Gehry, Toyo Ito e Sou Fujimoto. Richard Serra, Dan Flavin e Nino Cais.

BOOBAM-BLOG-ohtake_LFLORENZANO_010

Sites favoritos?
Archdaily é o único que leio todos os dias, por causa da ótima newsletter. Para design, eu prefiro seguir os próprios e ver no instagram. Muitos designer publicam ali desde seus processos criativos, passando pelo produto final, até sua visão sobre o mundo. É isso que mais me interessa.

612-banco-meu-chapa-rodrigo-ohtake-2-1200

Se pudesse eleger sua peça preferida, de design/arquitetura, qual seria?
Guggenhein de Bilbao. Pela sua liberdade formal, pela inovação material, porque já visitei e vi que funciona muito bem e pelo impacto mundial que ela teve.


Visite a loja do Rodrigo Ohtake na Boobam:

boobam-entrevista-rodrigo-ohtake

loja-entrevista-rodrigo-ohtake

Posted by:Boobam

Deixe uma resposta