O Decarvalho Atelier nasceu no final de 2015, da necessidade inquietante do arquiteto Bruno De Carvalho em criar peças que até então estavam apenas traçadas em seus cadernos. Leia a entrevista completa para conhecer melhor suas inspirações e processo criativo.

Sua formação acadêmica é como arquiteto, mas o design se tornou o seu foco de produção. Conte um pouco como foi a transição da arquitetura para o design.
Sou arquiteto e entusiasta da construção, acredito que estas duas paixões, mais a necessidade de criar e executar em um menor prazo, convergiram no design, mas esta transição está, de fato, longe de acontecer. Além do design, continuo projetando. Acredito que um complementa o outro. Busco muitas soluções de arquitetura no design e vice versa.

Como é a sua rotina e o seu processo criativo?
Sempre mantenho comigo um caderno com anotações e croquis. Durante o processo de criação revisito página por página e, na maioria das vezes, encontro ali mesmo soluções já rabiscadas antes do projeto novo. Gosto bastante de prototipar, testar e misturar materiais, acho que a base para o bom design está nesta investigação.

Você foi criado no interior de SP e sua memória afetiva é ligada à vida de fazenda. Muitos dos seus desenhos têm referências rurais, como o nome do Balanço Sela. Existe um fio condutor de conceito por trás do Decarvalho Atelier? Ou é algo mais íntimo e fluido?
Acredito que neste caso seja algo mais íntimo. A ideia é desenvolver um produto “sofisticado” e acolhedor que se adeque a qualquer tipo de ambiente, mas sempre quando finalizo uma peça ou algum detalhe dela, acaba me remetendo a algo que já vi ou vivi na minha infância, no sítio com meus pais e avós.

Você apresentou pela 1ª vez uma seleção de peças na MADE #2016. Conte um pouco sobre as duas peças preferidas e a inspiração por trás delas.

Poltrona carteiro: Esta foi a primeira peça que desenvolvi, fiz o croqui, executei a estrutura metálica e quando fui testá-la não funcionou… entortou quando sentei! Depois enrijeci a estrutura até chegar na seção ideal e fui moldar o assento de couro, fiz diversos modelos até chegar no que eu acreditava ser o mais elegante e confortável.

Vaso Oscar: Gosto muito da estética minimalista e durante muito tempo vinha tentando desenhar um vaso que fosse simples e que você pudesse, com apenas uma folhagem colhida no quintal ou na rua, dar um significado muito maior a um aparador, mesa ou estante. No caso, assistindo a um documentário sobre Brasília comecei a desenhar as pilastras do palácio do planalto e da alvorada e o vaso Oscar acabou aparecendo.

Voltando no tempo, você nos contou sobre uma das experiências mais enriquecedoras como aprendizado para a criação e design: o curso de marcenaria de São Paulo, na Escola COSI DI LEGNO, do Piero Calò (pai) e Oliver Calò (filho). Quais técnicas aprendeu por lá que até hoje estão presentes no seu trabalho?
As aulas eram como terapia! Acho que o mais interessante do curso é a intimidade que você começa a ter com a madeira, a forma de tratá-la e de conhecer suas limitações, este processo vai acontecendo gradualmente durante o desenvolvimento do seu móvel. No meu caso, a técnica do torno é a que mais está presente nas minhas peças.

Você expôs este ano na Paralela Gift (09-12Fev), no Museu Brasileiro da Escultura. Como surgiu este convite? Conte sobre as peças exclusivas que apresentou na feira.
Fui convidado pela fábrica Tecer tapetes, que tem sua sede em um belíssimo prédio projetado pelo Paulo Mendes da Rocha na Gabriel Monteiro, para desenvolver uma coleção de tapetes que mostrasse um pouco sobre as possibilidades da fábrica e o potencial de sua qualidade. Desenvolvemos 6 tipos de tapetes, todos inspirados na artista plástica Ligia Pape, com muitos recortes, sobreposições, encontros de linhas e muito trabalho manual.

A melhor e pior parte de ser um designer?
A melhor parte é a facilidade de fazer e refazer para se chegar no ideal e a rapidez do resultado. A pior ainda não descobri!

Quais artistas e designers você admira?
Joaquim Tenreiro, Jorge zalszupin, Sérgio Rodrigues, Lígia Pape, Tarsila do Amaral, Burle Marx, Claudia Moreira Salles são artistas que sempre me trazem alguma referência…

Sites favoritos?
Pinterest, sites de alguns arquitetos que me inspiram…

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Posted by:Boobam

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