Idealizado pela empresária Paloma Danemberg, filha de um dos mais respeitados antiquários do país, o ad.studio traz um novo conceito ao segmento: oferecer móveis e objetos de época a preços acessíveis para conquistar uma clientela jovem e antenada.

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Pesquisando o acervo do Arnaldo Danemberg Antiquário, a carioca Paloma Danemberg encontrou um novo nicho de mercado e criou o ad.studio, com móveis e objetos antigos mais acessíveis ao bolso.

Nas férias escolares, as amigas de Paloma Danemberg viajavam para a Disney. Não era o caso da carioca, nascida sob o signo de Libra e filha do antiquário Arnaldo Danemberg, autoridade quando se trata de mobiliário de séculos passados. Aos 12 anos, ela começou a acompanhar o pai aos leilões pela Europa: Inglaterra, França e Portugal são países onde Arnaldo costuma adquirir as peças para suas lojas, uma no Rio de Janeiro e outra em São Paulo. “Me lembro de um leilão na Sotheby’s, em Londres, que meu pai arrematou cinco lotes seguidos. Foi emocionante vivenciar aquilo e eu vibrei muito com a conquista dele!”, conta.

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Desde pequena, Paloma viaja com a família para a Europa em busca de “tesouros” antigos. Nesta foto, ela aparece com o pai, Arnaldo Danemberg, na Bélgica, país onde nasceram seus avós maternos.

Paloma também guarda boas memórias da primeira loja dos Danemberg, a Antigualha, inaugurada pelo avô paterno na rua do Lavradio, centro da capital fluminense. “Adorava aquele lugar: sentir o cheiro do verniz na madeira restaurada, brincar com a serragem – que, encaracolada, eu imaginava ser cabelo de anjo – e com os plásticos-bolhas armazenados no galpão”, relembra a moça, de 33 anos, mãe de uma menina, de 2.

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O galpão de 1 mil m² do AD Antiquário foi instalado no bairro de São Cristovão. Ali, móveis e objetos de épocas passadas, comprados em feiras e leilões europeus, são restaurados por uma equipe de artesãos. Na foto de cima à esq., o medalhão de São José, santo de proteção de Arnaldo Danemberg, atrai olhares.

O fascínio pelo universo do antiquariato, no entanto, não influenciou Paloma na hora de escolher esse mercado como opção profissional. “Sou jornalista e comecei minha carreira na televisão, no departamento de aquisições de programas internacionais do Canal Futura. Morei também três anos em Barcelona, trabalhando na Cromosoma, vendendo e produzindo desenhos animados.”

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Na loja do Rio de Janeiro, ambientes decorados, como este home office, ajudam o cliente a visualizar composições de móveis e objetos. Os campesinos e os de ofício são os de preferência de Paloma.

Na volta ao Brasil, em 2010, Paloma foi trabalhar no canal Multishow, no qual permaneceu até o pai convocá-la, e também a seu irmão André, seis anos mais novo, para uma reunião de negócios. “Ele pediu nossa ajuda no antiquário, pois estava assoberbado com tantas tarefas. Essa foi uma das mais difíceis decisões da minha vida porque eu já tinha uma carreira consolidada. Decidi, porém, aceitar o desafio e assumi a gerência geral da empresa.”

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Em São Paulo, as peças do ad.studio são expostas no corredor de entrada do AD Antiquário. Nesta ambientação, o carregador de tijolos, suspenso na parede, serve de suporte para plantas.

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Nos dois primeiros anos, Paloma se manteve ocupada com questões administrativas e cursou um MBA na Fundação Getúlio Vargas (FGV) para aprimorar os conhecimentos. O planejamento da abertura da loja em São Paulo também tomou bastante de seu tempo nessa primeira fase – meta estipulada por Arnaldo, que já havia inaugurado a sede carioca 26 anos atrás no térreo do badalado edifício Chopin, vizinho ao hotel Belmond Copacabana Palace. É, aliás, nesse glamouroso endereço que Paloma divide a sala com a mãe Katia, responsável pelo Recursos Humanos da empresa. “Ela é minha grande companheira, me ajuda nas questões do trabalho, além de ser superavó da Rafaela”, afirma.

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Engradados de bebidas com escritos e compotas de antigas mercearias fazem sucesso entre a clientela jovem.

Depois de reformular os departamentos do antiquário, atualizar sistemas e inaugurar a sede paulistana na rua da Consolação, nos Jardins, Paloma sentiu-se pronta para exercer outra função na empresa: a de curadora. “Ficava pensando no que eu poderia fazer aqui de diferente. Desejava também me identificar com a parte artística do negócio”, conta.

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O toque de Paloma está presente não só nas ambientações do ad.studio como também no design gráfico da marca.

Foi assim que nasceu o ad.studio, instalado nos dois endereços do AD Antiquário e também com loja no site da Boobam. “Jovens arquitetos e designers de interiores sempre me diziam que eles não tinham clientes com poder aquisitivo suficiente para comprar peças nas nossas lojas”, afirma. “Quero mudar essa percepção e dar um novo significado às peças, principalmente às de ofício. Um carregador de tijolos do século 19 pode virar uma belíssima prateleira e moldes de maquinários podem funcionar como nichos ou oratórios.”

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Neste ambiente de atmosfera masculina, a étagère de madeira clara do início do século 20 dialoga com as cadeiras dos anos 1960/70, de procedência nacional.

Tornar o ad.studio desejável a diversas gerações por causa de sua seleção de peças a preços acessíveis é a principal meta da jovem empreendedora. Para o próximo ano, ela já tem definido seu plano de mídia. “Faremos uma lista de músicas no Spotify, eventos que combinem arte e moda e um canal no Youtube.” Como se vê, projetos não faltam a Paloma, que, sob a batuta do pai, vai conquistando com inteligência e simpatia seu próprio espaço. “Móvel é fruto da nossa necessidade e testemunho da nossa história, e eu pretendo relembrar isso às pessoas”, sentencia.

 


 

Peças em destaque na Ad. Studio na Boobam:

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Poltrona de varanda garimpada em Portugal e restaurada pelos artesãos do antiquário, localizado em São Cristovão, bairro do Rio de Janeiro.
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Cadeira de veraneio francesa de ferro e madeira faia dos anos 1950. As cores, ausentes nas peças do AD Antiquário, são sempre bem-vindas na proposta do ad.studio.

 

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Neste ensaio para a campanha da marca, Paloma posa sobre escada portuguesa de pinho do século 19.

Foto: Lucas Moraes

Posted by:Regina Galvão

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